O preço é baixo à vista daqueles que querem apenas um momento de prazer. O convite é alto e cheio de conteúdo, alegria e muita expectativa, sem contar na curiosidade aguçada que o “produto” apresenta. Cabelos bem modelados, olhos laqueados, um perfume exalante, simulando uma flor da aurora. Tamanha produção, para 30 minutos de “desejo”. O “cliente entra e começa a seção, a sensação de estar fazendo o que queria ou o que seu consciente pediu, é muito bom... a continuidade do prazer se mantém e eis que é chegado o fim, dinheiro na caixinha, pé na estrada e mente pesada – acusando o ato, o gasto, a vergonha, a promiscuidade e a insuficiência de moral.
Dias depois, o começo da amargura. Os sintomas do sexo e sua angústia, a prepotência do ser viver e a busca pela inconsciência do prazer. Tudo isso somado em um só mês, resultado daquele dia. Percebe o ritmo diário da vida humana diminuir, o cansaço obscuro, a voz esgotada, o agito de um coração que antes palpitava pelo prazer, hoje palpita pelo desprazer de uma descontinuidade sexual.
Arca-se pelo absurdo convite ao sexo, a orgia e ao contentamento de uma postura indesejada e não pensada. Agora é tarde, pode-se pensar, não afirmo que seja realmente tarde, mas acredito que não necessitava desta forma para refletir a posição em que estás e o que a vida significa pra você e se tem sentido tudo aquilo que pareceu bom, familiar ou agradável.
Nem tudo que apresenta beleza, termina na mesa.
Nem tudo que apresenta familiar, termina na mesa.
Nem tudo que apresenta saudável, termina na mesa.
Nem tudo que apresenta gostoso, termina na mesa.
Nem tudo que apresenta forte, termina na mesa;
Nem tudo que apresenta novo, termina na mesa.
Mas, cuidado! Porque tudo que apresenta facilidade, termina na mesa de um
hospital.
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