(Contos de uma ex-deprimida)
Ela chega devagar, com passos lentos e tonteantes. Sem perceber sua presença, começo a deleitar em seu conforto, que de confortado, me desconforto só em pensar. Parei na esquina da tristeza e encobrir o sorriso do coração, com a mente pesada e um olhar sem resposta resolvi calar a voz. Mais tarde ao deitar, despertei a curiosidade de descobrir a vida do outro lado. Ao acordar, me deparei com uma decepção e novamente eu a introspectei. Começava ali minha ilusão e desencanto. Parecia normal minha atitude de ajudar várias pessoas, sem conter minhas emoções e continuei na prática, convencida de estar fazendo tudo certo, errada eu estava ,mas não percebia. Ajudei tanta gente e eu a perecer.
Comecei um namoro e no decorrer deste foi tudo uma maravilha, até surgir a primeira decepção. Na segunda decepção meu comportamento manteve o mesmo, passei por cima de tudo, assim eu compreendia que estava agindo certo, mas na verdade não. Até que chegou ao fim meu namoro de 3 anos de duração. Dei uma de forte, de alguém que não conseguisse sofrer por um término de qualquer natureza, mas na verdade me corroia por dentro e a dor da perda era grande que não comportava no coração, mas mesmo assim eu resistia ao lamento, só.
Passei a comportar de forma intrínseca. Fui para o quarto e não sentia vontade alguma de me envolver com pessoas, presenças de amigos ou conhecidos me irritavam, comecei a ver o mundo de cabeça para baixo, meu sono subtraía a cada dia, meu ânimo desacelerava, a palpitação sem resultado era alarmante, o apetite que antes era meu braço forte, tornou-se meu inimigo, minha família me via com olhar de compaixão, enquanto eu a via com olhar de intrometidos, investigadores da vida alheia, estava extremamente ao extremo crônico mental. Várias pessoas percebiam minha mudança tão rápida e estranhavam a ponto de comentarem comigo sobre este fato e até me alertavam sobre tudo aquilo e eu ignorava e desconsiderava comentários, estranhando os mesmos. Sem contar com a euforia de trabalhar que me seguia rotineiramente, cada dia eu a via definhar. Levaram-me ao psicólogo, contra meu gosto, mesmo com a resistência que eu apresentava, e o psicólogo sugeriu aos meus pais que me encaminhassem urgentemente ao psiquiatra porque a situação estava saindo de neurótica para psicótica. Vi-me inteiramente em uma confusão sem retorno. Dúvidas à parte, rejeito comentários e abusos de piadas... tratei e hoje estou bem, graças a Deus. Minha vida após o tratamento mudou e tomei outro rumo, agora sei que tudo que não avisa a chegada tem um fim de perdição e a virada para a ilusão, venci. Se você tem ou sofre deste mal, saiba lidar com ele, porque é comum ter depressão, incomum é não compreender e aceitar a melhora desta maldição pra mente. Até mais tarde.
Depoimento de Luciana Medeiros Carneiro, encaminhado ao meu e-mail pedindo para publicar em meu blog, com autorização via procuração em cartório. Autorização de publicação e exposição de conteúdos.
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