Embora o país Brasil seja de farsa, um país democrático, que é uma pura e real mentira, ainda sofremos com o racismo, muito oculto.
Quando aproximo do ponto de ônibus, por ser negro, os olhares de pessoas da cor branca espantados levanta suspeita da minha presença. Se senhoras ou senhores possuem algum valor, mais do que depressa resolvem acolher mais próximo de seu corpo, temendo que “eu” possa subtraí-los e por aí... Certo dia, estava em um ponto de ônibus a espera de uma lotação para ir embora, deparei com uma situação constrangedora e humilhante: uma senhora de cor clara, aparentemente possuída de algum bem, me evitou fornecer a hora, quando perguntada por mim, escondendo-se e procurando amparo, como se eu fosse roubá-la. Alguns minutos depois aproximou de nós um rapaz bem vestido e de cor clara e a perguntou a hora e ela sem pensar duas vezes, o responde com um largo e espontâneo sorriso aproximando-se dele na intenção de obter abrigo. Começaram a conversar e poucos minutos depois, ele anunciou assalto e adivinhe quem teve que intervir? – claro, eu, o negro que ela temia ser assaltada.
Em outro constrangimento, passava pela praça sete de setembro, centro da capital mineira, quando um grupo de jovens de pele clara cantavam e se alegravam, quando eu aproximei por gostar e praticar música (veja em meu perfil) , parei e logo fui indagado por um jovem muito tolo, que me perguntou: o que você quer? E eu o respondi: nada, apenas apreciando a musicalidade de vocês e perguntei: posso continuar por aqui? E ele disse que sim e eu permaneci. Mais tarde, quando todos estavam empolgados com a música, este mesmo jovem volta e me afronta ameaçando chamar a polícia e concluiu dizendo temer que eu fosse pertencer ao bando do vandalismo, eu como muito educado o respondi com lágrima nos olhos: fique tranqüilo, eu não veio atrapalhar seu momento musical e sim apreciar junto, se possível, deste momento, mas se caso eu não puder permanecer, me retiro, ele sorriu alegre por ter conseguido me inibir, pensava ele assim e se retirou me deixando afastado deles. Um pouco mais tarde, algum morador da redondeza acionou a polícia para o grupo e a viatura chegou abordou todos e um dentre eles, por incrível que pareça ele, exatamente ele, foi abordado e havia uma restrição judicial e no anexo um mandado de busca e apreensão ao mesmo, a polícia já o conduziria a delegacia, perguntou se havia alguém naquele grupo que possava poder judiciário ou formação acadêmica no curso de direito, ninguém se manifestou e a situação foi ficando crítica e o policial o exigiu um valor, aquele famoso “cafezinho” e ele, quanto os outros integrantes do grupo não tinham o “cafezinho” para aquele policial. Ao ver que a situação tomava corpo, resolvi intermediar no assunto, me apresentei devidamente documentado e sugeri que fôssemos encaminhados para a delegacia mais próxima e lá tomaria as providências cabíveis junto ao delegado. O policial por temer alguma represália por sua conduta anteriormente incomposta, resistiu a sugestão e liberou aquele rapaz. Mais uma vez, o negro teve que intervir. O jovem, ficou muito sem graça, pediu várias vezes desculpas e me convidou a aproximar do grupo, eu aborrecido desabafei dizendo estar muito chateado com a forma com que fui recebido de primeira mão e que por não me sentir bem teria que ir embora, mas que em hora oportuna a gente se re-encontraria. E fui embora.
Por aí, vejo que o preconceito e o racismo ainda existem, sem contar com várias discriminações que todo dia eu como tantos outros Brasileiros enfrentamos por este país. Quero encerrar este desabafo deixando uma pergunta: QUANDO TEREMOS UM PAÍS DE TODOS?
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